Governo PSD/CDS-PP

Da propaganda enganosa à necessária<br> e inapelável derrota

Francisco Lopes (Membro da Comissão Política)

Os centros de decisão do grande capital, o Governo PSD/CDS-PP, desdobram-se em propaganda enganosa procurando, com este ou aquele elemento estatístico, esta ou aquela acção demagógica, esconder o desastre para onde conduziram e estão a conduzir o País. O Congresso do PSD no passado fim-de-semana foi mais uma demonstração de tal prática, a que outras se seguirão.

A luta vai continuar, alargar-se e intensificar-se

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Nada disso altera a realidade nacional, a situação dos trabalhadores e do povo, o agravamento da exploração e o empobrecimento, o profundo descontentamento existente, o desejo de penalizar os responsáveis políticos por este rumo de retrocesso e a vontade de concretizar a necessária e inapelável derrota do Governo.

A política de direita provoca um rasto de retrocesso e injustiça e gera sérias preocupações quanto ao futuro. A degradação do poder de compra dos salários, incluindo do salário mínimo nacional, os cortes nos salários e nas pensões, o aumento e desregulação dos horários de trabalho, a prepotência em muitos locais de trabalho, as centenas de milhares de trabalhadores com salários penhorados e conduzidos à extrema degradação das condições de vida são realidades chocantes.

Como chocante é o desemprego de mais de um milhão e 400 mil trabalhadores, na sua maioria sem apoios sociais, tantos deles conduzidos à miséria e à fome, ou a situação dos jovens cada vez mais empurrados para a precariedade, o desemprego e a emigração.

A negação do acesso à saúde com consequências na condenação de tantos portugueses a uma morte antecipada, o continuado ataque à escola pública e a descaracterização da segurança social são uma gritante expressão de retrocesso social.

O aumento brutal dos impostos para os trabalhadores e as benesses para o capital dão a dimensão de uma profunda injustiça fiscal.

A subversão do regime democrático nos mais diversos domínios inscreve-se no confronto geral e sistemático da política de direita com a Constituição da República Portuguesa.

O País é empurrado para o desastre e a sua soberania e independência são comprometidas.

Tudo isto ao serviço do grande capital, que beneficia da apropriação da riqueza criada pelos trabalhadores e do saque do património do País. A propaganda dos arautos da política de direita não consegue disfarçar que a continuação deste rumo significa a negra perspectiva de trabalhadores cada vez mais explorados, de um povo em empobrecimento, de um País sem futuro, de uma pátria destruída.

O Governo aí está na sua acção iníqua: a tentar que os cortes nos salários e nas pensões, nos apoios sociais que apresentaram como temporários passem a definitivos; a procurar fazer mais alterações para pior ao Código do Trabalho procurando facilitar os despedimentos sem justa causa e fragilizar ainda mais a contratação colectiva; a agravar a legislação de trabalho da Administração Pública; a atacar os reformados e pensionistas e o direito à reforma; a promover ainda mais a precariedade e a redução dos salários; a prosseguir a destruição dos serviços públicos e das funções sociais do Estado. O Governo aí está a estabelecer mais privatizações, a favorecer sempre o grande capital.

Não há demagogia e encenação do Governo PSD/CDS-PP, ou do PS que com os partidos do Governo assume a responsabilidade da política de direita e a subscrição do pacto de agressão, que possa esconder a necessidade urgente da ruptura com a política de direita, de uma alternativa patriótica e de esquerda.

Resistência e alternativa

O Partido Comunista Português é a grande força da resistência e da alternativa. Age a todos os níveis contra a política de desastre nacional e apresenta e bate-se pela política alternativa. Na Assembleia da República e no Parlamento Europeu os seus deputados são a expressão dessa luta em que intervém todo o colectivo partidário. O Partido que, assumindo o seu papel de vanguarda, impulsiona a luta dos trabalhadores e do povo, o elemento decisivo na resistência, na ruptura e na alternativa.

A intensa luta dos últimos anos vai continuar, vai alargar-se e intensificar-se em torno dos problemas e reivindicações dos trabalhadores e da população, condicionando e enfraquecendo o Governo até à sua derrota final, enfrentando a política de direita e abrindo o caminho da alternativa.

Luta que se desenvolve hoje e nos próximos tempos, se expressará no 25 de Abril e no 1.º Maio e terá nas eleições para o Parlamento Europeu, no próximo dia 25 de Maio, uma importante jornada. Jornada em que os trabalhadores e o povo português têm, com o voto na CDU, uma extraordinária oportunidade de eleger deputados que defendem os interesses nacionais e de mostrar ao governo, à União Europeia, às troicas, ao grande capital, o seu descontentamento e protesto, o seu inconformismo, a sua aspiração a uma vida melhor, a um País soberano e desenvolvido, a um Portugal com futuro.

 



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